21 outubro 2009

Cada um no seu lugar


img1Serviço, dons e ministérios são assuntos que não podem ficar de fora quando tratamos do tema humildade. Nessas questões não é difícil encontrarmos desequilíbrios. De um lado, há os que precisam ser constantemente relembrados do que Paulo escreveu aos Romanos: “digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém” (Rm. 12:3). No lado oposto estão os que precisam ouvir o que Paulo disse à Timóteo: “Não te faças negligente para com o dom que há em ti” (I Tm. 4:14).

Deixar de exercer talentos e dons não expressa humildade. Afinal, Deus é glorificado quando manifestamos o que dEle temos recebido pois “Toda boa dádiva e todo dom perfeito são lá do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg. 1:17). Quando alguém exerce seus dons consciente que isso não lhe é próprio, mas é algo que vem de Deus, esta pessoa pode dizer: “pela graça de Deus, sou o que sou” (I Co. 15:10).

Quem serve à Igreja deve sempre trazer à memória as palavras do Senhor: “Vós, porém, não sereis chamados mestres, porque um só é vosso Mestre, e vós todos sois irmãos. A ninguém sobre a terra chameis vosso pai; porque só um é vosso Pai, aquele que está nos céus. Nem sereis chamados guias, porque um só é vosso Guia, o Cristo. Mas o maior dentre vós será vosso servo. Quem a si mesmo se exaltar será humilhado; e quem a si mesmo se humilhar será exaltado” (Mt. 23:8-12).

Jesus não quis dizer que não há mestres no meio da Igreja (I Co. 12:28). Nem que não há pais na fé (I Co. 4:15). Mas Jesus chama nossa atenção para duas realidades. A primeira é a de que Ele é a origem de qualquer ministério. Foi Ele quem garantiu que edificaria Sua Igreja (Mt. 16:18), e é Ele mesmo que, cumprindo Sua Palavra, dá dons aos homens (Ef. 4:11). Portanto, só há mestres na Igreja se estes têm Jesus como mestre. Assim como só há pastores à medida que estes têm Jesus como pastor.

Nossa atenção também se volta para a realidade de que a Igreja (família de Deus) é ambiente para serviço abnegado, e não para a ostentação e auto-promoção. Há mestres e há pais no corpo de Cristo. Contudo, o que faz um pai ou um mestre não é a ostentação de um título. Quem é pai, pastor ou mestre o é sem que receba designações especial. Afinal, Jesus, sendo o Grande Pastor das Ovelhas (Hb. 13:20), o Sumo Pastor (I Pe. 5:4), o Pastor e Bispo das nossas almas (I Pe. 2:25) e o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão (Hb. 3:1), pode ser chamado apenas pelo Nome. Por que nós, simples mortais, exigimos ser tratados por títulos e impôr nossa pretensa autoridade?

O que faz um pastor não é a posição institucional que ocupa, mas sim o chamado e o fato de Deus lhe ter confiado ovelhas. De Deus vem o chamado e das ovelhas vem o reconhecimento. Paulo sabia disso, e disse aos coríntios: “Se eu não sou apóstolo para os outros, ao menos o sou para vós; porque vós sois o selo do meu apostolado no Senhor” (I Co. 9:2).

Quem é servido deve reconhecer isso com humildade. Paulo nos diz: “Agora, vos rogamos, irmãos, que acateis com apreço os que trabalham entre vós” (I Ts. 5:12). E, ao se referir aos que trabalham em prol da Igreja, nos ensina: “Reconhecei, pois, a homens como estes” (I Co. 16:17).

Ainda falando sobre o lugar de cada um no Corpo de Cristo, destaco o exemplo de Dorcas (At. 9:36-43). Em tempos de “megaministérios”, de buscas desenfreadas por honra e glória no meio chamado “gospel”, é importante lembrarmos do ministério dessa mulher. As Escrituras não relatam nenhum milagre que tenha realizado, nenhuma manifestação sobrenatural. Não era uma apóstola e nem mesmo profetisa. Não era uma conferencista internacional. Era uma costureira, uma simples costureira, que usava sua habilidade com os tecidos para servir aos santos. Contudo, esse serviço simples foi suficiente para fazer com que ela fosse ressuscitada por Pedro. Muitos dos que foram usados para realizar sinais não passaram por essa experiência. Mas Dorcas, com seu serviço simples, marcou a vida de muitos e veio a ressuscitar.

A vida de Dorcas nos ensina que devemos cumprir com fidelidade o serviço que recebemos do Senhor, mesmo que isso pareça simples ou não nos coloque em evidência. Se fizermos com consagração o que Deus nos deu a realizar, poderemos receber recompensas extraordinárias.

Portanto, lembremo-nos da palavra de Paulo ao seu amigo Arquipo: “atenta para o ministério que recebeste no Senhor, para o cumprires” (Cl. 4:17).

Anderson Paz

13 outubro 2009

Verdades?

Escrever é um exercício do pensar. Faz tempo que não escrevo, mas isso não quer dizer que tenho pensado pouco, mas justamente pelo contrário, ando pensando demais e por isso precisei de determindao tempo para arrumar tais devaneios.Minha última publicação traz um conteúdo um tanto quanto resolutivo de uma crise. O título é sugestivo, fala sobre crise e naufrágio, trazendo intercessões entre minha vida e a de um personagem chamado Chuck Nollands, o Náufrago. Durante todo o texto comparo minha crise com a história relatada no filme, afirmando que não sabemos o que a maré pode nos trazer.De uns meses para cá, comecei a ler alguns autores adeptos do Teísmo, como C.S. Lewis, Ed René Kivitz entre outros. Identifiquei-me com algumas premissas, posso até afirmar para você, que dizer que um estupro de uma inocente numa esquina de São Paulo, não pode ser atribuída a vontade de Deus, pois assim o mesmo retiraria a culpa do criminoso. Mas também creio que Deus não está sentado em trono distante e omisso a ponto de não impedir que nada disso ocorra e ao mesmo tempo, não retiro do ser humano a parcela de culpa pelos males que permeam nossa sociedade mediante nosso livre arbítrio dado pelo Criador.Depois de algumas meditações e vivências neste tema, pude perceber que coisas ruins acontecem a pessoas "boas". Doenças, desemprego, divórcio, acidentes e todos os tipos de males que afetam a humanidade, também podem atigir a nós (filhos de Deus). Dentro desta análise pude compreender que é preciso realmente entender aquilo que o Mestre disse: "No mundo tereis aflições..." Ele avisou! Bobo é quem se auto denomina Príncipe e Princesa...Somos todos filhos de Deus. Todos! A diferença está em quem caminha ou não com Ele.Quando se caminha com Deus, ainda que não se veja a finalidade, você sabe que ela existe, sabe que Ele está com você, e por isso confia e assim descansa, e não toma atitudes desesperadas, pois só as toma, que não tem esperança, pois esperança e desepero, cada um a seu país são estrangeiros um do outro. Por isso digo que Deus não é omisso, pois não dá para ser omisso e andar junto contigo. Devemos concordar. Ele também é justo, não atribuindo a si a culpa do estupro, pois por mais doente que o estuprador seja, ele precisa ser julgado, sendo assim, mais uma vez digo que Deus não é omisso. Deus também não pode pagar, por algo de minha natureza, ou seja a liberdade, e mais vez digo que ele não é omisso, pois Ele nos diz o que é certo ou errado.Ou você não sabe distinguir isso, mesmo sem nunca ter lido a Bíblia?Crendo desta forma, afirmo que estamos sob um propósito tremendo. E que mesmo sem saber o que vem pela frente, mesmo com a visão turva, mesmo com os pensamentos emaranhados, sei que existe um Deus que raciocina, um Deus que me respeita, um Deus que me conhece e se relaciona comigo. O melhor de tudo isso é saber que ele não trata a humanidade como seu brinquedos. Deus me deixa duvidar até mesmo de sua existência, por várias e várias vezes. Isso é que me fascina Nele, pois seria muito fácil fazer aquilo que é bom para cada um, ou até mesmo eliminar o mal do meio da humanidade se é tão poderoso quanto dizes. Mas se tudo está assim, é porque nós mesmos criamos tal pano de fundo. Afinal, nenhuma guerra, nenhuma intolerância é mandamento de Deus, mas fruto da mentalidade e pequenês humana. Então se Deus eliminasse tudo isso, varreria também a humanidade, pois mesmo em um mundo pluralista, pós- moderno etc, no final das contas continuamos absolutos em nossas crenças até quando afirmamos que nenhuma crença é boa, estamos embasados em alguma.Ou seja, precisamos reconstruir a ética, resignificar algumas Instituições e apontar a direção para um caminho menos perigoso e perder menos tempo procurando de quem é a culpa, mas buscando soluções mais cabíveis ao nosso Ser Humano, á nossa vontade e a vontade Dele.

12 outubro 2009

Seguir seus passos é melhor que auto-ajuda...

Estamos no século XXI, nos consideramos senhores da razão, cientistas de si. Gostamos de frases que dizem:O importante é estar bem consigo mesmo...Notem que a cada dia, o ser humano diz que se compreende bem, conhece seus limites, enfim, está a pronto para lidar consigo mesmo.Creio que realmente, se faz necessário eu me conhecer, saber meus limites, etc. Mas também reconheço que quando eu conheço meu próprio eu, automaticamente me distancio do próximo. Considero-me auto-suficiente, conhecedor dos meus caminhos e descaminhos. Nesta linha de pensamento anulamos o que conhecemos por mutualidade cristã. Então paira a pergunta: Devo perguntar ao próximo qual é o meu limite?Devo procurar um guia com infinitos passos de como alcançar a plena comunhão com meu irmão? No início do texto, eu relato que o homem está cada vez mais só em seu auto-entendimento, o que não é a maneira mais eficaz para se viver na comunidade da cruz. Creio que cada um deve procurar a si mesmo na figura que nos representou o Mestre. Desta maneira começo a compreender que seguindo os passos de Jesus, serei bom para comigo e para com meu próximo. Os passos de Jesus inspiram justiça, como no caso da mulher que adulterou e quase foi apedrejada. Inspira também perdão, compaixão e todos as maneiras de se viver bem consigo e com os seus pares. Isso porque todas estas atitudes são atitudes de alguém que tem um compromisso maior que é com seu Deus. Quando temos uma vida aliançada com o Pai, vivendo no centro de Sua vontade, trazemos para nós uma consistência maior em nossas relações. è impossível viver bem com Deus e mal com seu irmão e consigo mesmo e assim se dá em outro sentido. è impossível viver bem com meu irmão e viver mal com Deus. Vida com Deus é algo parecido com uma engrenagem, pois se alguma peça estiver fora de seu lugar, a máquina não funciona. Somos discípulos de Cristo, devemos ser como ele. Jesus andava lado a lado com o Pai e suas relações eram sem limites, pois ele conhecia sua missão e sabia que no Reino de Deus, não se pode ter limites. A partir do momento em que passarmos a imitar o Mestre, Ele nos fará compreender coisas maiores, e antes disso nos ensinará a luz de sua palavra o melhor agir.

02 outubro 2009

A igreja no exercício do amor

Disse Cristo após sua ressurreição conforme registrado em Marcos 16:16 - "Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado."

Com base nisso, as igrejas lançaram: Quem crer no Senhor Jesus Cristo e for batizado nesta instituição além de ter seu nome escrito no livro da vida terá direito a fazer parte deste grupo, juntamente com outros que tomaram a mesma posição, tornando-se um membro legalmente reconhecido.

No livro de João, capítulo 8, há um relato que conta que Cristo estava no monte das Oliveiras e foi levada até ele, pelos escribas e fariseus, uma mulher apanhada em adultério. Segundo a lei de Moisés, tal situação tinha como condenação o ser apedrejado. Questionaram a Cristo sobre o que se deveria fazer a fim de o acusarem. Ele então responde com toda sua serenidade e sabedoria: - "Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela."

O que você me diz? O que faria a igreja nos dias de hoje? A igreja faria o mesmo que Cristo fez?

Perceba que não estamos falando de uma mulher arrependida, falamos de uma mulher que estava sendo levada por Cristo, junto de seus acusadores, ao arrependimento.

Cristo deu foco a restauração e não a lei. Cristo olhou o ser humano em questão sem se preocupar com a reputação, não se importou com o que os outros iriam pensar de sua atitude. Cristo mostrou que o amor é maior que a lei.

Qual foi a sentença dada por Deus? Resposta: - "Ninguém te condenou? .... Eu também não te condeno; vai-te, e não peques mais."
Qual seria a sentença dada pela Igreja nos dias de hoje para um irmão nosso que cometeu um pecado? Acredito que em muitos casos ouviríamos o que é mais comum atualmente: - "Exclua!"

Que amor é esse praticado pela igreja? É isso que lemos? É isso que vemos na história de Cristo? Quem somos nós? Que direito temos de julgar? Onde nos foi dado tal direito?

Lembro de Romanos capítulo 2, versículo 1, que diz: - "Portanto, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo."

Então onde queremos chegar com isso? Disciplinar? Para um verdadeiro filho de Deus, que conhece ao Deus que serve, que reconhece a sua grandeza e soberania, que provou do seu grande, eterno, misericordioso e gracioso amor não há maior repreensão, maior disciplina do que, diante do pecado cometido, ser levado pelo Espírito Santo de Deus, que nele habita, à consciência de tudo isso e conseqüentemente ao arrependimento.

Deus nos trata em todos os nossos pecados e nos ensina em todos os erros cometidos através de suas conseqüências. Para Ele, todos os pecados são iguais, têm a mesma medida e o que varia são suas conseqüências.

A igreja trata os pecados cometidos por seus membros distribuindo punições de acordo com o tamanho das conseqüências dos atos cometidos. Outra medida é o quanto se está exposto o problema e o quanto ele pode ser nocivo à sua imagem enquanto instituição diante da sociedade.

A igreja é ética. Pecados ocultos são desconsiderados ou não tratados da mesma forma. Se ninguém sabe, ninguém viu, tudo bem, do contrário, "Crucifica-o!". Quanto mais mascarado, fantasiado, disfarçado for, mais "santo" serás rotulado, independente de seu conteúdo.

Como amo a palavra do próprio Deus dita através do profeta Joel no capítulo 2: - "Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal."

Deus não vê como vê o homem. Deus sonda e conhece o nosso coração. Ele sabe exatamente qual têm sido a nossa real postura e intenção e nisso mede a nossa intimidade e comunhão com Ele. Já ouvi dizer e concordo plenamente... perfeição para Deus não é ser perfeito, porque ninguém pode ser perfeito. Perfeição pra Deus é a busca por ela que é nada menos que conhecer e prosseguir em conhecer o nosso Deus de infinito amor.

"Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom de profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, e não tivesse amor, nada disso me aproveitaria."

Busquemos viver o verdadeiro Cristianismo. Amemos a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos. Ser cristão é viver usando incessantemente o que Deus nos deixou de mais precioso - a prática do amor.

17 setembro 2009

Quando a Igreja não é "Igreja" ...


Igreja tem que ser coisa de gente de Deus, de gente livre, de gente sem medo, de gente que anda e vive, que deixa viver, que crê sempre no amor de Deus; e sobretudo, é algo para gente que confia, que entrega, que não deseja controlar nada; e que sabe que não sabe, mas que sabe que Deus sabe...

Somente gente com esse espírito pode ser parte sadia de uma igreja local, por exemplo. Entretanto, para que as pessoas sejam assim seus pastores precisam ser assim.

Se o pastor é assim, tudo ficará assim. Ou, então, o tal pastor não emprestará a sua vida para o que não seja vida, e assim, bem-aventuradamente deixará tal lugar de prisão disfarçada de amor fraterno.

Em igreja há problemas...

É claro... Afinal, tem gente!

Mas nenhum problema humano tem que ser um escândalo para a verdadeira igreja de gente boa de Deus.Numa igreja de Deus ninguém tem que ser humilhado..., adúlteros não tem que ser “apresentados” ao público..., ladrões são ajudados a não mais roubarem...,corruptos são tratados como Jesus tratou a Zaqueu..., e hipócritas são igualmente tratados como Jesus tratou aos hipócritas...; ou seja: com silencio que passa..., mas, ao mesmo tempo, não abre espaço...

Na igreja de gente boa de Deus fica quem quer e até quando deseje... E quem não estiver contente não precisa ser taxado de rebelde e nem de insubordinado... Ele é livre para discordar e sair... Sair em paz. Sem maldições e sem ameaças; aliás, pode sair sem assunto mesmo...

Na verdadeira igreja não há auditores, há amigos.

Nela também toda angustia humana é tratada em sigilo e paz.

Igreja é um problema?...

Sinceramente não acho...

Pelo menos quando a igreja é assim, de gente, para gente, liderada por gente, com o propósito de fazer de toda gente um humano maduro — então, creia: não há problemas nunca, pois, os problemas em tal caso nada mais são do que situações normais da vida, como gripe, febre ou qualquer outra coisa, que só não dá em poste de ferro...

Tudo o que aqui digo decorre de minha experiência...

Não é teoria... Pode ser assim em todo lugar...

Mas depende de quem seja o pastor...

E mais: se o povo já estiver viciado demais nem sempre tem jeito...

Entretanto, se alguém decide começar algo do zero, então, saiba: caso você seja gente boa de Deus, e que trate todos como gostaria de ser tratado..., não haverá nada que não seja normal, pois, até as maiores anormalidades são normais quando a mente do Evangelho em nós descomplicou a vida.

Pense nisso!...

Nele,

Caio [via blog Lion of Zion]

31 agosto 2009

A fama e a celebridade

O capitulo um do verso 21 ao 28 do livro de Marcos tem me chamado muito atenção, mas um verso em especial tem me feito refletir na minha vida frente ao social.

‘‘Então, correu célebre a fama de Jesus em todas as direções, por toda a circunvizinhança da Galiléia.’’
As palavras, Célebre e Fama me levaram a uma intensa reflexão. Quando escutamos a palavra fama, ela geralmente soa como algo ruim, como algo que não é bom que o cristão tenha, não é verdade!

Nos apegamos aquele versículo ‘‘convêm que Ele cresça e eu diminua’’. Se eu tenho que diminuir, eu não posso nem pensar em ser famoso e muito menos em ser uma celebridade. Mas esse diminua significa o que? Como pode alguma coisa ou alguém crescer através de mim se eu diminuir? Esse diminuir é no sentido de não tomar uma glória que não é minha para mim. É só isso e nada além, a única coisa que o Senhor não suporta e nem autoriza a ninguém é tomar a glória que só Ele é digno de receber.



Por mais estranho que pareça todo o ser humano tem uma fama, ou muitas famas. Só que nem todos se tornam celebridades. Mas a fama é algo que ninguém tem como se livrar dela, ela existe e está para todos.



O dicionário fala que fama significa reputação e o significado de reputação é opinião pública. Queira você ou não as pessoas tem uma opinião a seu respeito. Existem pessoas que falam assim: ‘‘ mas eu não ligo, eu não estou preocupado nem um pouco com o que as pessoas pensam ou falam de mim’’.



Conheci um jovem há poucos dias que tem a fama de ser homossexual, esse jovem diz ser cristão. Percebendo que ele tinha um comportamento que não era comum aos heterossexuais, o chamei para conversar, não para o maltratar ou lhe dar uma lição de moral, mas simplesmente para lhe proporcionar um espaço para que ele falasse dessa questão. Perguntei para ele se ele não se importava com o que as pessoas diziam dele. Ele disse que não se importava, eu já era conhecido assim desde o colegial, disse.



Esse caso em especial me remete ao texto de Atos 6, cujo titulo é a instituição dos diáconos. O texto conta que os discípulos estavam sendo pressionados pelos helenitas, por que as viúvas deles estavam sendo esquecidas na distribuição diária. Então os discípulos se reúnem e chegam a seguinte decisão, convoquem sete homens para realizar esse serviço e assim nós podemos nos dedicar a oração e ao ministério da palavra.



Só que quando eles se referem aos sete homens é muito interessante por que não serve qualquer homem, e olha que era só para distribuir coisas, como, por exemplo, alimento. Se pensarmos em quais homens seriam bons para esse serviço, pensamos em pessoas com um bom preparo físico. Mas a lógica do evangelho é totalmente louca para o mundo, mas na verdade de louca ela tão tem nada, ela é mais coerente do que se imagina, quando eles falam das características desses homens à primeira palavra que eles falam aqueles que iram escolher, era que fossem homens de boa reputação e isso chega a vim antes do homem ser cheio do espírito. Você já tinha parado para pensar na sua responsabilidade quanto a ser um homem ou uma mulher de DEUS?




Isso me lembra quando em 2006 eu estava participando da escola do clamor pelas nações e o Pastor Cirilo falou uma frase que me marcou muito, ele disse:



‘‘Antes de você ser um homem de DEUS, seja um homem na Vida’’.

Isso se refere a tantas coisas, mas a que eu penso é sobre a honestidade. Onde está a honestidade? Com os governantes? Praticamente nenhum a tem. A honestidade estaria nas Igrejas, ou melhor, ela estaria na vida dos pastores? Sinceramente não temos garantia nenhuma disso.


Qual é a diferença da personagem Yvone da novela caminho das índias para um outro personagem chamado Bispo Edir Macedo? Só que esse trabalha na novela da realidade. Está ai pra todo mundo vê a reputação, a fama desse homem, que hoje lidera milhares de pessoas ao redor do mundo, não é simplesmente em nível de Brasil, ele é líder de pessoas no mundo. Eu fico me perguntando, será que esse líder que atrai tantas multidões seria escolhido no time dos sete homens de atos seis?


A pergunta que fica é, qual é a tua fama?


Tem pessoas que estão indo atrás de todos os moveres de Deus, se dizem estar embriagadas de Deus, mas a vida não condiz nem um pouco com isso que elas estão atrás. Não acredito no acaso, não foi à toa que a ordem do que era necessário para servir no reino foi instituída daquele jeito. Primeiro boa reputação, depois cheio do espírito e assim por diante.


Jesus além de ser uma pessoa famosíssima, ele se tornou uma celebridade.


Fama significa reputação e celebridade significa grande fama.


Só que uma coisa é importante, o fato de se tornar uma celebridade não significa estar apto para fazer parte dos que são escolhidos para servir no reino de Jesus.


Celebridade é uma pessoa que tem uma grande fama, e essa fama pode ser por fazer o mal também.


Jesus está procurando pessoas de boa reputação, de boa fama pra que ele possa usá-las. Como você tem sido conhecido em sua comunidade, em seu local de trabalho, na sua universidade, por seus amigos e até dentro dos templos que as pessoas chamam de igreja?


Como atrair pessoas para igreja se as pessoas não conseguem ver Jesus nas pessoas que dizem ser a igreja?


Guilherme Manhães

15 agosto 2009

Tempo com Ele e tempo com Elas


Ele representa o Amor e Elas são as atividades. Depois de ler uma frase no livro 7 passos mais perto de DEUS de Staney fragoso, o Senhor me levou a uma reflexão sobre este tema.


'' Não estar ocupado com o pecado, mas estar ocupado com DEUS ".


Costumamos ouvir pessoas falando '' você precisa gastar tempo com DEUS ''. Gastar tempo com DEUS é a mesma coisa de estar ocupado com DEUS? Parece que sim, não é? Mas a palavra Ocupado me remeteu a algo mais alto.

Você já parou para analisar como pessoas marcam compromissos e chegam no horário combinado? Um bom exemplo disso é o trabalho, dificilmente o individuo chega atrasado muitas vezes, até porque se ele ficar repetindo esse comportamento logo será demitido.

É interessante notar que essas mesmas pessoas não conseguem, ou melhor, não querem estar ocupada com outras coisas e por isso muitas vezes chegam atrasados, e em outras ocasiões nem comparecem.

Geralmente estamos ocupados com algo que marcamos para fazer previamente.

Estar ocupado com DEUS, tem soado muito bem aos meus ouvidos. Estar ocupado com DEUS implica em ter um tempo previamente estabelecido só para Ele. Você pode pensar " aaa um tempo fixo para Ele é muito pouco, eu passo o dia inteiro com Ele ". Ouvir isso me incomoda, porque o tempo com Elas tem que ser sempre cumprido. O futebol tem sido um tempo com Elas muito intenso na vida de alguns cristãos, '' não dá para perder o jogo, estarei lá em frente a TV vendo o meu timão ''. A sensação do momento é assistir ao sofrimento de um personagem da TV que é esquizofrênico, não me refiro a mulheres somente quando falo de novela, hoje esse tabu de que a novela é coisa de mulher não existe mais, os homens se aprisionam muitas vezes. tenho escutado frases assim nos lares '' não troque o canal estou esperando a novela ''.

Tem gente que as tem como uma ocupação que não pode perder, sabe o nome de todos os personagens. E assim muitos dizem que estão com DEUS o dia inteiro. O problema não está em assistir ao futebol, muito menos a novela, mas em como você os consagra ao seu dia, ao ponto de terem um lugar especial em suas agendas diárias. Uma coisa que me deixa triste, é quando estamos comemorando o aniversário de alguém e aquele grupinho vai pra sala na hora da novela, esquecendo completamente o motivo de estarem naquele lugar.

Talvez você possa ousar em falar pra mim que passa todo o seu dia já com Deus e não precisa dedicar um tempo exclusivo para Ele, a ponto de falar para um amigo, '' olha esse horário eu não posso porque é o tempo Dele, o tempo de estar com o Amor ''. Mas acredito que você não teria essa mesma coragem para falar a Daniel que dedicava três períodos de tempo por dia em exclusividade ao Amor. Já pensou se você se defrontasse com Jesus dizendo para você, '' olha agora vocês não venham atrás de mim porque vou dedicar tempo, vou estar ocupado com o Amor ''. Foi mais ou menos assim que JESUS falou para os discípulos.
Se o próprio JESUS percebia a necessidade de estar ocupado com DEUS, separar um tempo exclusivo em seu dia, imagina eu e você?

'' Não estar ocupado com o pecado''. É preciso cuidado, muito cuidado para que as atividades não se tornem pecado. Se substituirmos a palavra pecado por atividades na frase ela ficaria assim, '' Não estar ocupado com as Atividades''.

Não deixe que as atividades roubem seu tempo exclusivo ao maior digno dele.
O meu desejo é que ELE mesmo sozinho seja mais importante que todas Elas juntas na sua vida. Que a palavra Elas venha ser escrita com letra minúscula na sua vida, tirando assim sua grandeza, e que estar ocupado com Ele venha ser um desejo ardente.

Guilherme Manhães.

12 agosto 2009

O apóstolo João


“Não tenho maior alegria do que esta, a de ouvir que meus filhos andam na verdade.”

O apóstolo João é meu discípulo preferido. Não por razões espirituais ou motivos nobres, mas pelo simples fato de que me com ele. Só que me pareço com o João antes de ser transformado pelo Espírito de Deus. E quando leio sobre quem ele chegou a ser, penso que ainda há esperança para meu temperamento intenso, justiceiro, tão pouco misericordioso em muitas ocasiões.

Sobre João e sobre o que a mensagem faz com o mensageiro, é nosso assunto de hoje.

Confesso que tenho certa queda pelas pessoas educadas, amáveis e de fino trato. A educação não é uma questão de esnobismo, ou de regras pacatas. A educação é, simplesmente, aconsideração pelo próximo.

E quando lemos a terceira carta do apóstolo João, o antepenúltimo livro da Bíblia, nos encontramos com um homem de uma educação e uma doçura indescritíveis.

3 João 1- 4.

Os primeiros versículos mencionam frases como “meus amados,” “me regozijo,” “não tenho maior alegria.”

Esta carta, escrita por um velho e desgastado João está cheia de amor. NÃO há amargura, não há vazio, não há ressentimento, apenas muito amor, e uma paz que os anjos invejariam.

O ancião João, mensageiro dos mensageiros, não teme estar sozinho numa ilha deserta. Ele sabe que seu senhor Jesus Cristo, mora em seu coração. Que fantástica a criatividade de Deus, que quando soube que estaríamos longe de casa por um tempo, decidiu que o Céu se mudaria para o nosso coração para que não nos sentíssemos sozinhos.

E aqui está João, com o Espírito de Deus vivendo em seu coração, ou seja, com o Céu vivendo pertinho dele.

Mas João nem sempre foi o discípulos do amor.

Era um jovem intenso e idealista quando o mestre da Galiléia o chamou. Seu rosto ainda não tinha barba, mas ele tinha uma missão. E João amou como ele sabia amar: com garra, com força, com um espírito guerreiro que não se amedronta em face das dificuldades;

João era jovem. João era guerreiro. João tinha a intensidade do fogo dentro de sua alma.

Quando João viu seu mestre ser recharçado por toda uma cidade, sugeriu que mandasse fogo do Céu para consumí-los. João tinha um senso de justiça muito claro.

A mãe de João solicitou uma audiência com o Mestre e pediu um lugar de destaque para seu filho. Era nítido o sentido da oportunidade.

Jesus batizou a João e seu irmão de “filhos do trovão.” Era nítido o sentido de tempo, João era rápido, intenso, inteligente e profundamente ético.

Qualquer caça-talentos veria a João com o potencial necessário para ser um grande líder, para criar um império, para começar uma obra do zero.

Mas com Jesus, as coisas são diferentes. Com Jesus, antes de compartilhar a mensagem devemos ser transformados por essa mensagem. E a mensagem se fez carne e habitou entre nós, e nós a vimos…

O ímpeto de João parece ofuscado durante os acontecimentos do Getsêmani e na cruz. João está em silêncio, não se faz notar. João não pede que o fogo do Céu consuma os soldados romanos, sua voz não soa como a assustadora intensidade de um trovão. Sua mãe não solicita um lugar privilegiado entre a multidão que segue a Jesus com as costas em carne viva e carregando a cruz de madeira maciça.

João permanece em silêncio. Sua intensidade tinha dado lugar a sua fidelidade. Seu ímpeto tinha dado lugar a discrição. Sua paixão tinha dado lugar ao amor incondicional.

E quando ninguém mais estava aos pés do mestre que sangrava na cruz, João estava ali, quieto, em silêncio, olhando para os olhos do seu mestre e Jesus lhe diz, em apenas um suspiro: “Filho, aqui está a tua mãe…”

Jesus, o belíssimo Jesus da cruz, o Jesus que não permitiu que a dor da tortura romana o transformasse em um ser egoísta, pensa na sua mãe já velhinha. Uma mulher viúva, sem seu filho homem, não passava de uma mendiga…

E Jesus olha para ela e sabe que seus discípulos estão envergonhados e distantes e escondidos. Mas João, o filho do trovão, permanece, fiel aos pés da cruz, e Jesus, o verbo encarnado, lhe suplica que cuide de Maria, que ele o substitua em seus deveres de filho.

João permaneceu quando todos se foram.

A mensagem encarnada, Jesus, havia transformado ao impetuoso, justiceiro e destemido João.

João havia aprendido a permanecer.
Permanecer aos pés da mensagem encarnada.

Esse é o guerreiro que Deus busca, o líder que assume as grandes empresas, o homem de confiança a quem Deus encarrega o cuidado de sua família.

Guardar silêncio. Permanecer. Ser fiel. Ouvir. Obedecer.

João ainda não sabia, mas desafios maiores viriam. Sobre seus solitários ombros densansaria a redação do mais importante livro para a resolução da batalha entre o bem e o mal.

O Apocalipse, o livro de significados que nunca se esgotam.

E quando o ancião João fechou seus olhos na solitária ilha de Patmos, olhando para esse mar infinito que havia levado tudo o que ele amava, escutou a voz de seu mestre, o mestre da Galiléia que chegou com sua doçura para cuidar do velho e cansado João, da mesma maneira com que João cuidara de Maria.

João o guerreiro, descansava debaixo do olhar atento do carpinteiro da Galiléia.

João deixou de ser o filho do trovão para ser o discípulo do amor. Mas existe uma coisa curiosa, seu ministério, suas palavras, a mensagem do Apocalipse, ainda hoje tem a força, a rapidez, a intensidade de um trovão. Chegam a vida de milhões de pessoas e como uma espada de dois gumes cortam, ferem e convidam para a guerra espiritual.

Não, João nunca desejou de ser um guerreiro intenso. E hoje tenho certeza, de que Deus o susteve em seus braços quando seus olhos se fecharam para sempre nesta distante e solitária ilha.

Deus honra aos guerreiros cansados. Sua sepultura está guardada por anjos poderosos.

Não há vitória possível, não há guerra que possa ser ganha sem que antes a mensagem transforme ao mensageiro.

Com reverência olho para o apóstolo João e sei que existe esperança para mim. Que Deus cobrirá minhas costas nesta guerra desigual e que os anjos guardarão meu sepulcro se esta batalha levar minha vida antes do tempo.

Escolho entregar minha intensidade, minha justiça própria, meu ímpeto idealista. Escolho permanecer em silêncio aos pés dessa cruz com gosto de sangue e lágrimas.

Permaneço perto do mestre. Guardo silêncio. E desejo que a mensagem feita em carne transforme minha alma e me prepare para a batalha.


Fonte: Código.Aberto

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