Prezados teólogos e pastores da prosperidade e confissão positiva.
No dia 10 de julho o mundo comemorará os 500 anos do nascimento do reformador João Calvino. Aliás, desculpe, imagino que vocês nunca tenham ouvido falar do famoso reformador francês, até porque, se tivessem conhecido um pouco de sua história, jamais estariam ensinando em seus púlpitos absurdos como quebra de maldições, possessão demoníaca de crentes, a teologia da prosperidade e confissão positiva.
Caros profetas da riqueza, diferentemente de vocês, que fundamentam suas doutrinas em seus próprios umbigos, Calvino considerava a Bíblia como a base final de todas as suas idéias. Suas pregações em vez de sensacionalistas e manipuladoras estavam repletas de verdades bíblicas. O famoso reformador costumava pregar duas vezes a cada Dia do Senhor e, em semanas alternadas, todos os dias. Isto soma a algo perto de trezentas pregações ao ano, um total espantoso, especialmente quando descobrimos que ele também ensinava quase todo dia na Academia de Genebra. Calvino quando pregava o Novo Testamento o fazia sobre o original grego, quando pregava sobre o Antigo Testamento, usava o original hebraico. Todavia, para vocês teólogos da opulência, isto é um verdadeiro absurdo não é verdade? Até porque, segundo vocês, existe uma nova revelação sobre os profetas de Deus o que dispensa as Sagradas Escrituras.
Prezados mercantilistas da fé, ao contrário de vocês, Calvino acreditava na prosperidade como conseqüência do trabalho. Ele nunca decretou ou determinou a bênção ou enriquecimento dos filhos de Deus, coisas essas que vocês ensinam com esmero. Aliais, vocês são experts em declarar isso não é verdade? Vocês escondem o dinheiro na Bíblia, compram aviões, pedem dinheiro desavergonhadamente na televisão, publicam bíblias da prosperidade, e muito mais.
Caros utilitários da fé alheia, que tal aproveitar esta data emblemática e aprender um pouco sobre a reforma protestante? Tenho absoluta certeza de que ao lerem as histórias de Calvino, Lutero, Zwínglio, e as contraporem as Escrituras Sagradas, vocês serão confrontados pelo Senhor e abandonarão suas teologias espúrias, adoecedoras e anticristãs.
Por favor pensem nisso!
Naquele que reina e governa sobre tudo e todos!
Pr. Renato Vargens
Fonte: [ Blog do autor via Bereianos]
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08 julho 2009
22 junho 2009
Carta a Diogneto

Excelentíssimo Diogneto, vejo que te interessas em aprender a religião dos cristãos e que, muito sábia e cuidadosamente, te informaste sobre eles:
Qual é esse Deus no qual confiam e como o veneram, para que todos eles desdenhem o mundo, desprezem a morte, e não considerem os deuses que os gregos reconhecem, nem observem a crença dos judeus; que tipo de amor é esse que eles têm uns para com os outros; e, finalmente, por que essa nova estirpe ou gênero de vida apareceu agora e não antes.
Aprovo esse teu desejo e peço a Deus, o qual preside tanto o nosso falar como o nosso ouvir, que me conceda dizer de tal modo que, ao escutar, te tornes melhor; e assim, ao escutares, não se arrependa aquele que falou.
Os cristãos não se distinguem dos demais homens, nem pela terra, nem pela língua, nem pelos
costumes. Nem, em parte alguma, habitam cidades peculiares, nem usam alguma língua distinta, nem vivem uma vida de natureza singular.
Nem uma doutrina desta natureza deve a sua descoberta à invenção ou conjectura de homens de espírito irrequieto, nem defendem, como alguns, uma doutrina humana.
Habitando cidades Gregas e Bárbaras, conforme coube em sorte a cada um, e seguindo os usos e costumes das regiões, no vestuário, no regime alimentar e no resto da vida, revelam
unanimemente uma maravilhosa e paradoxal constituição no seu regime de vida político-social.
Habitam pátrias próprias, mas como peregrinos: participam de tudo, como cidadãos, e tudo sofrem como estrangeiros. Toda a terra estrangeira é para eles uma pátria e toda a pátria uma terra estrangeira.
Casam como todos e geram filhos, mas não abandonam à violência os recém-nascidos. Servem-se da mesma mesa, mas não do mesmo leito. Encontram-se na carne, mas não vivem segundo a
carne. Moram na terra e são regidos pelo céu.
Obedecem às leis estabelecidas e superam as leis com as próprias vidas. Amam todos e por todos são perseguidos. Não são reconhecidos, mas são condenados à morte; são condenados à
morte e ganham a vida.
São pobres, mas enriquecem muita gente; de tudo carecem, mas em tudo abundam. São desonrados, e nas desonras são glorificados; injuriados, são também justificados. Insultados, bendizem; ultrajados, prestam as devidas honras.
Fazendo o bem, são punidos como maus; fustigados, alegram-se, como se recebessem a vida. São hostilizados pelos Judeus como estrangeiros; são perseguidos pelos Gregos, e os que os odeiam não sabem dizer a causa do ódio.
Numa palavra, o que a alma é no corpo, isso são os cristãos no mundo. A alma está em todos os membros do corpo e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, não é,
contudo, do corpo; também os cristãos, se habitam no mundo, não são do mundo.
A alma invisível vela no corpo visível; Também os cristãos sabe-se que estão neste mundo,
mas a sua religião permanece invisível. A carne odeia a alma, e, apesar de não a ter ofendido em nada, faz-lhe guerra, só porque se lhe opõe a que se entregue aos prazeres; da mesma forma, o mundo odeia os cristãos que não lhe fazem nenhum mal, porque se opõem aos seus prazeres.
A alma ama a carne, que a odeia, e os seus membros; Também os cristãos amam os que os odeiam. A alma está encerrada no corpo, é todavia ela que sustém o corpo; Também os cristãos se encontram retidos no mundo como em cárcere, mas são eles que sustêm o mundo. A alma imortal habita numa tenda mortal;
Também os cristãos habitam em tendas mortais, esperando a incorrupção nos céus. Provada pela fome e pela sede, a alma vai-se melhorando; também os cristãos, fustigados dia-a-dia, mais se vão multiplicando. Deus pô-los numa tal situação, que lhes não é permitido evadir-se.
escrita cerca do ano 120 d.C.
[Via: Pavablog]
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